São poucos os problemas que ainda precisam ser resolvidos. E ainda assim, nada que mereça muito destaque.
Bom, é isso que deve pensar um estrangeiro que assistiu ao primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais.

Acusações ao invés de propostas. Provocações sutis e outras nem tanto. Perguntas sem resposta..
O tema mais debatido acabou sendo a questão da liberação do aborto.
Ora, façam-me o favor....
O tema é polêmico? É. Mas daí a ser o principal ponto de discussão entre os dois postulantes ao comando do País nos próximos 4 anos vai uma grande distância.
O PSDB jogou a isca no final do primeiro turno e o PT, tal qual um lambai faminto, atacou a isca e se enganchou. Deixou de ganhar de uma vez e agora tenta se livrar do anzol, mas o pescador não pretende desistir e quer o peixe frito.
Tal pendenga se estende porque a mídia resolveu atribuir a não vitória de Dilma no primeiro turno a uma suposta declaração dela de que seria a favor da descriminalização do aborto. Com isso a propaganda eleitoral do candidato de oposição se dedicou a insistir no assunto, muitas vezes de forma dissimulada. No programa do dia 12, dia das crianças, havia uma profusão de bebês no programa tucano, além de diversas alusões à valorização da vida, do nascimento, do renascimento...

Na internet o jogo é mais pesado, em diversos sites e blogs a candidata do PT é achincalhada.




Um tom raivoso que me assusta. É como se a insatisfação com o governo que há 8 anos está à frente do nosso país fosse justificativa para ataques pessoais com fortíssimo conteúdo preconceituoso e discriminatório. A utilização de tabus como o aborto me lembra aquela célebre acusação de que comunistas comiam criancinhas.

Também não há como não lembrar da disputa entre Serra e Lula, em qu a regina duarte apareceu dizendo estar com medo do bicho-papão do PT.

O tom religioso da campanha reflete o duelo entre a Igreja Católica e a Evangélica. Não por acaso, na foto da primeira página do Globo, do dia 14, Dilma aparece ao lado do Bispo Marcelo Crivella e de uma manchete em que promete não enviar qualquer projeto sobre questões religiosas ao Congresso.

É triste ver uma campanha presidencial virar um samba de uma nota só.
O que um candidato à presidência pensa ou deixa de pensar sobre o aborto não me importa. Nem tampouco se ele é judeu, católico, evangélico ou muçulmano. Se é negro, branco ou oriental. Se é homem ou se é mulher.
Em vários países, como Portugal, para buscar um exemplo bem próximo de nós, decidiu este delicado tema através de um plebiscito. E nesses casos, o presidente, tenha ele que opinião tiver, tem que acatar a decisão popular.
Se isso acontecesse por aqui, seria ótimo. Pois só depois de um debate que mostrasse de forma abrangente os prós e os contras, as pessoas poderiam opinar.




Eleição se vence com propostas, com o convencimento do eleitor de que determinado candidato pode dar uma vida mais digna a todos os brasileiros, principalmente para aqueles que mais sofrem. E quando se trata desta ótica, o que não falta é coisa para melhorar.
Triste esse caminho para o qual as eleições estão se dirigindo. Nunca votei nulo, mas dá vontade, né? Parece até que somos idiotas.Discutir sobre o aborto enquanto temos um país em guerra contra a pobreza, fome, violência e etc? Realmente, façam-me um favor...
ResponderExcluirBjs,
Maria Clara Cardona
Excelente, é triste ver o jogo, a manipulação da classe politica. Desfocando tanto a importancia do debate politico, a analise dos programas que devem indicar sustentabilidade, infra-estrutura e desenvolvimento para o Brasil.
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